Após os 40, exame de vista deve ser anual, indicam oftalmologistas
Avaliações começam ainda na infância e devem ser anuais após os 40 anos; alterações repentinas na visão exigem atenção...
Esperar a visão piorar para procurar um oftalmologista não é recomendado. Embora o embaçamento seja o sinal mais diretamente associado à necessidade de óculos ou à mudança do grau, algumas doenças podem avançar sem sintomas e serem identificadas durante uma consulta de rotina.
Segundo Maria Auxiliadora Frazão, médica oftalmologista e presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o acompanhamento da saúde ocular deve começar logo após o nascimento, com o teste do reflexo vermelho, conhecido como teste do olhinho. “As avaliações continuam durante a infância e devem se tornar mais frequentes com o avanço da idade”, afirma.
Quando fazer uma consulta?
De acordo com as recomendações apresentadas pelos especialistas:
- Ao nascer: a criança deve passar pelo teste do reflexo vermelho, que ajuda a identificar possíveis alterações oculares;
- Até os três anos: deve ser realizada uma nova consulta oftalmológica;
- Por volta dos sete anos: é indicada outra avaliação;
- No início da adolescência: mesmo sem sintomas, uma nova consulta é importante;
- Durante a adolescência: na ausência de alterações, as avaliações podem ocorrer a cada dois ou três anos;
- Após os 40 anos: a recomendação é realizar consultas anualmente;
- Quem já usa óculos: deve procurar o oftalmologista quando perceber piora da visão. Sem sintomas, o intervalo pode ser de um ano, dois anos ou até mais, conforme avaliação individual;
- Pessoas com fatores de risco: histórico familiar de glaucoma, a diabetes, hipertensão e outras condições podem exigir acompanhamento mais frequente.
Sinais de que os olhos precisam de atenção
Visão embaçada, dificuldade para enxergar de longe, cansaço visual e dificuldade para manter a leitura por muito tempo podem indicar necessidade de correção. Por volta dos 40 anos, também é comum surgir a presbiopia, conhecida como vista cansada, que dificulta a visão de perto.
“Embaçamento visual é o que, de forma mais direta, a gente conecta com a provável necessidade de uso de óculos”, explica Mauro Goldbaum, médico oftalmologista e diretor do CBO.
A mudança repentina da visão, porém, merece atenção especial. Segundo Goldbaum, alterações no grau normalmente não provocam uma piora importante de um dia para o outro. Embaçamento súbito, manchas, sombras ou flashes na visão, além de dor ocular e olho vermelho, são motivos para procurar o oftalmologista rapidamente, pois podem indicar problemas que não estão relacionados apenas aos óculos.
Consulta também encontra doenças silenciosas
A partir dos 40 anos, além da presbiopia, aumenta a preocupação com doenças oculares que podem comprometer a visão. Entre elas está o glaucoma, enquanto, depois dos 60 anos, a catarata se torna mais frequente. Com o envelhecimento, também cresce a atenção para a degeneração macular relacionada à idade.
“O glaucoma evolui de forma absolutamente silenciosa, sem que o paciente perceba que está perdendo a visão”, afirma Maria Auxiliadora.
A especialista explica que o acompanhamento permite identificar a doença precocemente e iniciar o tratamento para reduzir o risco de cegueira, já que a perda visual provocada pelo glaucoma não pode ser revertida.
Por isso, a consulta oftalmológica não deve depender apenas do aparecimento de sintomas. A avaliação permite identificar alterações precocemente e definir, de acordo com a idade, o histórico familiar e as condições de saúde de cada paciente, qual deve ser o intervalo entre os próximos exames.